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8 de ago. de 2011

Os EUA tiveram seu rating rebaixado e eu com isso?

Muita calma nesta hora... vamos entender o que é tudo isso e depois analisar como isso nos afeta e com cuidado, sem nos deixar contaminar pela maré de notícias que nos assolam, decidir o que fazer.
O que é rating? E para que serve?
Rating é a classificação de crédito dada aos papéis de empresas e países. Ele informa aos investidores interessados qual o risco de crédito que estes papéis possuem, isto é, informam quais os papéis mais seguros e quais aqueles que possuem risco de “não pagar” os compromissos assumidos. A classificação se inicia em países que declararam calote, passando por aqueles que estão em sérias dificuldades, aqueles que estão com boas perspectivas e aqueles que possuem uma economia estável e que apresentam o risco mínimo.
São três empresas principais que calculam estes ratings no mundo, são elas: Standard & Poor's (S&P), Moody’s e Fitch. Os papéis das empresas/países são classificados pelas três empresas e a nota é considerada válida quando, pelo menos duas destas agências concordam com parâmetros semelhantes. Isto significa que se duas agências classificarem determinado papel como risco mínimo os investidores aceitam esta classificação com válida do contrário, se duas classificarem o papel como ruim assim ele será visto.
Resumindo: Rating serve como balizador, um primeiro indicador, para o investidor saber quanto deve pedir de remuneração para cada papel, já que papéis que apresentam maior risco devem pagar maior remuneração e papei com menor risco menor remuneração.
O que aconteceu?
Na sexta-feira passada a Standard & Poor’s, uma das agências de rating, reclassificou a nota dos papéis dos EUA, para baixo, tirando deste papel a nota máxima que a ele era atribuída nos últimos 70 anos. Sem entrar no mérito da decisão, isso significa que, para esta agência, o risco atribuído ao papel dos EUA deixou de ser risco mínimo e passou a incorporar uma fatia maior de risco. Para termos idéia, mesmo com esta pequena queda, os papéis dos EUA ainda são muito mais seguros que os nossos, eles apenas perderam a nota máxima. Numa analogia, podemos dizer que eles perderam a nota 10 e agora possuem nota 9,5 e nós estamos com nota 7,5.
Como já disse acima, esta é a nota de apenas uma das agências, para que os investidores avaliem este rebaixamento como certo é necessário que pelo menos mais uma destas agências o reclassifique também para baixo. Neste ponto temos a primeira questão: qual será a pressão exercida pelos países e empresas sobre as demais agências de rating para que não façam movimento semelhante? Ate onde haverá independência destas agências?
Qual o impacto deste rebaixamento?
Os investidores sejam eles pessoas físicas, fundos de investimentos nacionais, fundos globais ou países possuem suas políticas de investimento. Dentre as políticas estão a necessidade de se investir somente em países com grau de investimento, ou países com nota máxima. No caso de um fundo/país que aplica somente nos países que possuem nota máxima, se houver a confirmação de uma segunda agência a esta nota dos papéis americanos, pode-se criar uma necessidade de venda destes papéis para que o seu regulamento seja cumprido e, neste caso, haveria grandes problemas na economia mundial já que não há comprador para todos os papéis americanos que estão na mão destes países/fundos. Isso causaria uma busca a outras alternativas de investimento cujas conseqüências ainda não podem ser dimensionadas.
Temos até o momento uma preocupação grande, pois foi dado um importante alerta. Caso este alerta se confirme, a crise nos países ricos, como estamos vendo até agora, pode ser intensificada já que outros países poderão, em cascata, ser rebaixados, gerando um aumento dos custos de captação destes países e uma conseqüente retração de suas economias. Caso esta retração ocorra teremos menos espaço para exportar nossas mercadorias já que os países ficaram com uma economia mais frágil, consequentemente passam a consumir menos, gastar menos. Esta retração gera um movimento em cadeia de diminuição do ritmo de crescimento global já que estamos falando de dois pólos que movimentam uma parte considerável de nossa economia. O grande risco é entrarmos em uma recessão forte, alguns economistas de projeção mundial, já classificam como uma grande contração, algo maior que uma recessão.
E agora?
Bom, depois desta explicação breve, vamos à realidade: O mundo não vai acabar, podemos ficar calmos. Por mais que tenhamos uma sensação ruim ao ver investidores estressados, bolsa caindo velozmente, entrevistas com diversos economistas tentando explicar as prováveis consequencias desse rebaixamento, ... Vamos entender onde isso nos afeta e com calma e racionalidade tomar as decisões mais corretas, decidir no calor da emoção provavelmente acarretará prejuízos consideráveis.
Efeito manada
O que veremos hoje é um efeito manada causado pela notícia, onde investidores correm para vender suas posições em ações fazendo o preço cair e, na medida em que cai, correm para vender antes dos outros, acentuando a queda. No mercado de Dólar e Ouro teremos o caminho inverso, pessoas correm para comprar e, à medida que sobe, tentam comprar mais evitando pagar caro, fazendo subir com mais intensidade. Haverá também uma maior corrida aos ativos de menor risco, como renda fixa.
Peço cuidado com análises precipitadas, não é por que papéis caíram bastante que ficaram interessantes para comprar; não é por que determinado banco está cotado ao preço de seu concorrente um pouco menor que devo comprá-lo agora, ... Tudo tem sua razão e devemos analisá-las antes de tomar decisões precipitadas. Em poucos dias, o mercado estará mais calmo, ou menos tenso, e teremos um rearranjo da situação com mudanças na situação vivida hoje.

E eu com isso?

Vamos ao que interessa, onde tudo isso pode me afetar? Vamos imaginar você como investidor e como devedor.
- Investidor: seus ativos de risco perderão valor e será necessário avaliar com mais clareza o futuro para decidir o que fazer. Fica claro que se abre a possibilidade de uma recuperação com bom potencial de ganho, mas não devemos tomar o exemplo de 2008/2009, desta vez, tudo leva a crer, que a recuperação será mais lenta e os efeitos negativos da crise ainda não acabaram, portanto há espaço para mais quedas. Tranqüilidade é o nome do jogo, liquidez é a melhor estratégia.
- Devedor: tente sair das dívidas que tem, tente não contrair novas dívidas, os juros de empréstimos deverão subir com a incerteza dos mercados e ficar devendo com juros de empréstimos mais caros não é bom negócio. Os bancos já se prepararam para estes eventos aumentando suas linhas de empréstimos com taxas mais elevadas, disponibilizaram a seus clientes aumentos nas linhas de cheque especial e cartões que pagam juros elevadíssimos, assim conseguem recuperar mais rápido o principal e o ganho de juros compensa uma parte do acréscimo da inadimplência.

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