Quantas vezes ouvimos que depois da tempestade vem a bonança? Em 2008 tivemos uma grande tempestade, uma crise financeira que afetou os países ricos e em menor grau os países em desenvolvimento, gerando um grande tombo nos investimentos em bolsa de valores. Em 2009 tivemos uma forte recuperação destes investimentos; 2010 foi um ano de poucos ganhos, embora algumas empresas tenham apresentado bom crescimento; 2011 não está bom, contrariando as expectativas do início do ano quando diversos analistas previam um ano de ganhos, afinal o país está em crescimento, nossa economia ganha destaque, empresas ganham mercados e mantém elevados lucros.
Como explicar que neste cenário azul as ações estejam no vermelho?
Normalmente em períodos de forte crescimento pouco nos atentamos de como este crescimento está sendo gerado e se ele é sustentável. Após a crise de 2008, os países injetaram na economia “caminhões de dinheiro”, seja através de incentivos ou redução de impostos. Mas como não existe “almoço grátis”, alguém sempre terá que pagar esta conta, agora ela está aí. Os países ricos, aqueles que injetaram os “caminhões de dinheiro” na economia para fazê-la funcionar, estão endividados e este endividamento ameaça o frágil crescimento da economia. Os países em desenvolvimento, que sofreram menos, mas mesmo assim incentivaram suas economias para se manter na onda do crescimento hoje sofrem com outros problemas, entre eles a inflação e podem perder a oportunidade de se manterem em crescimento.
E o que tudo isso tem haver com as ações? TUDO. Ambientes de incerteza fazem os investidores migrarem para “portos seguros” retirando dinheiro dos mercados de maior risco colocando-o nos mercados menos arriscados, fazendo com que os preços caiam em função do elevado volume de vendas (vale aqui aquela velha lei de oferta e demanda, quando todo mundo quer comprar o preço sobe, quando todos querem vender o preço desce). Mas até quando permanecerão estas incertezas? A resposta depende de muitos fatores, o que é possível adiantar é que não deve ser tão breve como os mais otimistas esperam, isto é, não creio que tenhamos qualquer mudança neste cenário até o final deste ano e meados do próximo. Por enquanto prudência é a palavra de ordem.
Sem querer entrar muito no mérito das questões aposto em dois cenários: melhora ou piora em 2012; óbvio para muitos, mas quem disse que tem que complicar mais que isso? Vamos aguardar os acontecimentos, o cenário externo ainda não está com uma solução definitiva à vista e internamente temos problemas a resolver que também não estão com uma solução clara, portanto tenderia a acreditar num cenário mais pessimista para as ações.
Para àquele investidor que busca o longo prazo prefiro dizer que aguarde momento de menor incerteza e mantenha seus recursos no porto seguro. A hora de voltar à bolsa vai chegar, prefiro a certeza de entrar no meio da onda à arriscar em pegar seu início e ele não ocorrer. Seu dinheiro agradece!!!
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